Aprender idiomas, as dificuldades são racionais?
"Esse tipo de aprendizagem requer a formação de novas redes neurais."
"O domínio de uma língua estrangeira, especialmente o inglês, é cada vez mais frequente nas empresas. A maior parte dos candidatos às vagas, por sua vez, atesta nos currículos que fez o curso - o que em geral é verdade. Mas, na prática, são poucos os que sustentam uma entrevista mais detalhada em outro idioma ou mantêm uma conversação em inglês sem grande esforço. Para muitos prevalece a sensação de só cometer um erro atrás do outro. E o pior é que a insegurança quanto à gramática e o medo de cometer equívocos terminam por comprometer as possibilidades de acerto. Em muitos casos, nem mesmo muitos anos de aulas mudam essa situação". Atesta a matéria de Mente & Cérebro.
Uma rápida olhada para a epígrafe deste artigo, retirado, também da matéria citada acima, esclarece a questão. Ninguém aprende a própria língua através de métodos, mas sim da vivência e da observação. A criança não teme errar, ela apenas fala, fala, pergunta e pergunta sobre os significados das coisas que vê, ouve e sente ao seu redor. A esse processo natural de aprendizagem dá-se o nome de modelagem.
Então, o que acontece com o aprendizado de idiomas, principalmente para adultos, cuja dificuldade é grande?
As tentativas para se criar um método que facilite o aprendizado do novo idioma não cessam. Mas, todas essas tentativas são focadas em processos que envolvem estudo da gramática e conversação. No entanto, o que impede uma pessoa de aprender é exatamente os aspectros emocionais.
A matéria mencionada acima trata exatamente da controvérsia sobre o tema. Não existem mágicas já que o aprendizado de uma língua estrangeira exige muito mais do que ouvir, ler, escrever e falar. Exige adequação do sistema nervoso às particularidades de cada idioma. É viver uma nova cultura. Daí que os aspectos emocionais acabam influenciando muito. Isso, porque os métodos adotados por escolas de idiomas não levam em consideração que o aprendizado de um idioma vai além do idioma.
O francês Yves Thevenot, especialista em linguística e estudioso da Programação Neurolinguística - PNL debruçou-se sobre este tema e acabou desenvolvendo um método experimentado por ele para se tornar fluente em cinco idiomas, incluindo o português, no qual já se expressa razoavelmente bem, por escrito e verbalmente. Devido ao sucesso obtido ele passou a divulgar seu método pelo mundo com o nome de OPAL - Organic Patterns in Acquiring Languages.
O método OPAL trabalha com objetivos focados em:
a) bloquear os sistemas da própria língua para que a mesma não contamine as novas produções na língua estrangeira a ser aprendida;
b) modelar as características principais da segunda língua para que os enunciados produzidos sejam da melhor qualidade possível e estimulem da mesma forma a motivação do aluno, além de criar as conexões neurológicas adequadas;
c) multiplicar as ocasiões de se praticar a segunda língua, tanto de forma consciente como inconsciente (especialmente durante o sono), permitindo, assim, ao aluno, atingir um nível de prática e de produção que garanta uma progressão real e importante.
Na pedagogia tradicional, o foco é o aprendizado dos conteúdos linguísticos específicos. O aluno concentra seus esforços na aquisição de vocabulário, na gramática (sintaxe e morfologia), bem como no domínio de um grande número de expressões idiomáticas ou de fórmulas úteis em um contexto de conversação específico.
No entanto, o ensino tradicional não traz indicações precisas quanto ao processo cognitivo pelo qual o aluno possa realmente se apropriar de uma segunda língua, fazendo com que ela se torne realmente sua. Isso significa desconsiderar a parte emocional e neurológica envolvida no aprendizado.
Ao contrário disto, o método OPAL não propõe a aquisição de conteúdos linguísticos de uma determinada língua, mas sim visa a instalação ou reativação de estruturas cognitivas orgânicas (Organic Patterns), permitindo ao aprendiz a integração das características próprias de qualquer língua estrangeira (características fonológicas, sintáticas, morfológicas). A partir daí, o aluno poderá produzir enunciados de ótima qualidade na língua alvo, uma vez que serão originados utilizando-se suas características desde as primeiras frases construídas (bloqueando-se aquelas de sua língua-mãe).